IDOSOS

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O drama dos idosos, de fato hipossuficientes, continua desafiador. Oportuno destacar que Rio Claro não faz exceção. Ainda que a legislação pertinente, em tese, seja de primeiro mundo, é preocupante para a família, para a sociedade e para o Estado. Portanto, via de regra, falam muito e não dizem nada, porque, de concreto, salvo as santas exceções, resta apenas os perversos engodos.

Nesse contexto, urge salientar que a situação dos idosos continua heterogênea, até porque este País é socialmente injusto e vulnerável, efetivamente carente de justiça social, atolado na corrupção endêmica, na violência institucionalizada que corroem   todos os princípios éticos e morais, por via de consequência, os valores da virtude. Assim sendo, existem idosos para todos os gostos, salvando apenas os bem-nascidos que têm vida sólida e independência, enquanto a maioria, nem tanto.

Os governantes são os primeiros inimigos dos idosos, aviltando-se os salários quando eles mais precisam. É o caso dos aposentados pelo INSS e agora também os servidores públicos, os quais, num gesto populista, estão sendo colocados na vala comum. Apesar do desprezo dissimulado, os idosos são úteis lato sensu, tanto que mais de seis milhões de filhos e netos, entre crianças e adolescentes são cuidados pelos idosos, convivendo com o estelionato governamental que sofrem, eis que existe legislação ao estilo norueguês, mas recebem tratamento haitiano.

Como se não bastasse, inventam expedientes inúteis de alto custo de fundo pragmático e tempo com nomes pomposos para discutir o que efetivamente já existe nas normas cogentes, como: conferências em todos os níveis, conselhos, comissões e até parlamento, quando seria mais inteligente, célere e econômico pôr em prática as leis já existentes, independentemente de protocolos.

Cumpre dizer, outrossim, que muitos idosos, embora sendo um projeto humano em edificação, foram negligentes e negligenciados respectivamente. Por motivos que seria de bom alvitre calar-se ou até por acatos aos mistérios da vida, não viveram no seio de uma família sólida, não cuidaram da saúde física, mental e dos bons costumes, mergulhados na ociosidade e nos vícios, ignorando que existe uma lei de “causa e efeito”. Por isso, muitos nem chegam a ficar idosos na acepção legal, ficando no meio do caminho.

Os governantes, por sua vez, tratam da questão de forma promíscua e, com isso, não sabem realmente quantos são   hipossuficientes, onde estão e como vivem, razão pela qual não tem meios elementares estratégicos para implantar uma política justa e efetiva. No caso, a situação do idoso requer com urgência no mínimo uma estrutura logística como a   elaboração de um “Cadastro ” e um sistema de “Disque idoso”, processos há tempos requeridos pela Comissão do Idoso da OAB, mas que foi literalmente ignorado.

Como se não bastasse, o idoso vai ficando sem espaço digno, sem calor humano de sua própria família que se afasta e, por razões perversas, não tem ninguém disponível para dele cuidar, quando é arrancado de seu mundo, humilhado, quando não abandonado, é internado, às vezes até compulsoriamente em I.L.P. onde a solidão, o ostracismo e a indiferença leva-o mais cedo para o túmulo.

Repito, pobre do País que precisa de leis para que cuidem de seus idosos.

João Paulo da Silva- Advogado Idoso