O CRESCIMENTO QUALITATITVO QUE DESEJAMOS

O CONDÔMINO ANTISSOCIAL
abril 15, 2017
OAB CONCILIA = CIDADANIA
abril 15, 2017

Em recente artigo para o Estado de São Paulo, Washington Novaes afirmou que a poluição luminosa, ou seja, o excesso de iluminação artificial noturna, além de afetar os animais e plantas, também está entre as causas de distúrbio do sono e do sistema nervoso, bem assim depressão e (pasme-se!) até câncer de mama. Somando-se a isso, o fato de que no Brasil, até 60% da energia gerada é desperdiçada.

Se puder caminhar por uma avenida movimentada de Tóquio, poderá perceber que suas montanhas e árvores estão totalmente encobertas pelo excesso de informações coloridas, placas, propagandas, vídeos e promoções.

Recentemente estive em Nazaré Paulista, na UNILUZ, um lugar destinado ao autoconhecimento. Notei discretos postes que se misturavam à paisagem, sutilmente, como uma ciranda, iluminando sem causar um choque na vista. Cada pessoa lava seu prato em grandes bacias para não desperdiçar água, e tudo vai para reciclagem, reutilização e compostagem. No primeiro dia nos orientaram: “Não atrapalhem os processos das aranhas, não toquem suas teias.” Antes das refeições, fazemos uma grande roda em silêncio pela gratidão aos que produziram o alimento. Todos ajudam na manutenção do local. Os sacos de lixos do banheiro são feitos com jornal.

Volto para minha amada cidade. Caminho por uma de suas avenidas mais belas. Sempre achei que as árvores escreviam poesias naquela avenida. Seus galhos dançavam e se entrelaçavam, causando, certamente, um alívio pelo ar puro e pela beleza do entorno, mas tudo o que posso ver agora são luzes azuis que causam um mal-estar e grandes postes brancos, armaduras de metal intrusas da paisagem.

Em São Paulo, a Câmara Municipal aprovou o projeto de lei que estabelece o Mapa de Ruído da cidade. Na União Europeia, as “cartas de ruído” são obrigatórias em cidades que possuam mais de 200 mil habitantes. Anote-se: 22% dos paulistanos têm problemas auditivos causados por ruídos de trânsito.

A necessidade de conhecimento técnico e de um planejamento integrado para debater o tema e apresentar soluções passa pela participação de profissionais devidamente preparados nos mais variados seguimentos. A área que se preocupa com espaços públicos e urbanismo tende a crescer cada vez mais e, certamente, exige a formação de grupos multidisciplinares, destacando-se o papel fundamental dos advogados com formação urbanística e ambiental. Aliás, a demanda na área ambiental é crescente, conforme expôs a jornalista Cris Olivette em matéria para o Estado de São Paulo, dia 28 de junho passado.

Para finalizar: o crescimento que queremos é qualitativo e não quantitativo. Observo que a Comissão de Meio Ambiente da OAB Rio Claro tem trabalhado arduamente para auxiliar nas questões da cidade. Vejo uma interação grande entre SEPLADEMA, Ministério Público e diversos outros profissionais. Vejo com otimismo. Mas, como disse um ativista nas redes sociais essa semana: “Não podemos nos esquecer do essencial.”

 

Carol Palma é advogada e cursa Doutorado em Educação.