XEROX, FOTOCÓPIA OU MERA REPRODUÇÃO?

TRÂNSITO
abril 15, 2017
PALESTRA DE DIREITO COOPERATIVO
abril 15, 2017

Muito se tem falado sobre o tema violência contra a mulher e nessa seara tem de tudo um pouco. Tem a mulher que não denuncia e nem sempre lhe falta coragem. O que falta nesta vida é opção porque atrás desta mulher sofrida tem toda uma historia. Ela nunca está só porque tem consigo seus filhos e a manutenção e sobrevivência grita por socorro dentro de sua alma. E por ser mulher morre a cada dia e se submete ao dito companheiro violento.

Violência que a acompanha ao longo de uma vida! Geralmente reproduz de forma inconsciente o que vivenciou em sua infância. A garota sai de casa muito cedo para trabalhar e se acha adulta, namora, pula etapas quando engravida e acaba contraindo matrimonio. E com raríssimas exceções se dá bem porque a fuga daquele lar de outrora é mera reprodução. Fuga do lar destruído de constantes brigas. As escolhas dos seus parceiros não são muito diferentes do modelo que já viu em casa.

Muito fácil visualizar que o “eleito” é um tipo de homem muito parecido com o jeito e atitude reproduzida pelo seu próprio pai. Dai vem a sensação de fracasso por perceber que é um xerox da vida vivida pela sua própria mãe. Mulheres feridas, com almas doentes e com enorme dificuldade de abandonar o que lhes faz mal. E reproduzindo como se fossem fotocópias transmitem aos filhos exatamente aquilo que receberam: amargura.

Não há de se falar em falta de sorte como muitos apregoam e sim, questão de mera lei de atração. Se o perfil da violência se faz presente eu recebo e acabo doando exatamente o que recebi, evidentemente, de forma inconsciente. E com a alma doente o corpo também vai enfermar. Dai surgem as doenças físicas e emocionais. Danos esses de difícil reparação. Só aquelas que buscam outras fontes para se manterem  vivas é que realmente sobrevivem ao modelo outrora já estabelecido . Outras fontes sejam ditas é o suporte encontrado muitas vezes na figura de representantes da igreja , seja padres ou pastores, líderes espirituais que mostram que pela fé tudo pode mudar. E o ato de frequentar a igreja o encontro com Deus realmente faz a diferença.

Se o encontro for real o mal não pode persistir. Na medida em que perdoam os seus agressores conseguem se libertar. Essa libertação será completa em todas as áreas de suas vidas porque assim entenderão que podem superar toda e qualquer ferida de alma, conseguem perceber que são capazes porque há um resgate e recuperação da auto estima.

Muito comum, inclusive, após um divorcio traumático a mulher emagrecer, desabrochar e se encontrar profissionalmente! O amor próprio faz milagre, tudo permissão de Deus! Que as mulheres saibam que não são únicas a passarem por tais obstáculos em se tratando de violência doméstica. A violência domestica não é ato isolado. Não acontece em apenas uma ou outra casa.

São inúmeras  mulheres vivendo nessa situação e o meu desejo é que possam compreender que são muito mais fortes e podem sim buscar sua libertação.

KARIM KRAIDE CUBA BOTTA é advogada militante em direito de família, cível, e previdenciária, atua como conciliadora/mediadora, pós-graduada em direito civil, processo civil e família, pós graduada em docência superior e hoje é membro da comissão da mulher advogada da OAB de Rio Claro/SP.